Autoridades, forças e violências em “Casas de ferro”, de João Paulo Borges Coelho: entre a abertura ao desconhecido e a imaginação do futuro
“Casas de ferro”, de João Paulo Borges Coelho, nomeadamente a abordagem da estória aos indícios do mar Índico, funciona como um ponto de partida para uma reflexão sobre questões de lei, autoridade, força e violência. A estória suplementa literariamente visões históricas, geográficas, políticas e fil...
| Main Author: | |
|---|---|
| Format: | Article |
| Published: |
Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Estudos da Linguagem
2018
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| Subjects: | |
| Online Access: | https://eprints.nottingham.ac.uk/52698/ |
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| author | Gonçalves Miranda, Rui |
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| description | “Casas de ferro”, de João Paulo Borges Coelho, nomeadamente a abordagem da estória aos indícios do mar Índico, funciona como um ponto de partida para uma reflexão sobre questões de lei, autoridade, força e violência. A estória suplementa literariamente visões históricas, geográficas, políticas e filosóficas; o mar, enquanto dispositivo textual e literário, irrompe no final da estória como elemento de conflito e suspensão, deixando o final em aberto e colocando em cena uma abertura ao desconhecido que permite repensar as relações entre o próprio e o outro enquanto mais que simplesmente o outro do próprio; entre os outros que os próprios (Autoridade e Força) procuram apropriar e espoliados (moradores e refugiados) em nome de uma lei e de um discurso que, extravasando o colonialismo (bem como o neocolonialismo e a pós-colonialidade), cinicamente apelam ao bem comum e simulam ter em mente os interesses da população e do “desenvolvimento” do país. O mar Índico, topos e tropo, não configura simplesmente um outro espaço/lugar (sob trajes utópicos e/ou heterotópicos) ou um outro “Futuro” que contrabalance o que se passa em terra firme, projetado pela Autoridade e respetiva Força. O mar (e os elementos associados, como os barcos e o areal) funciona como um dispositivo que ativa o papel e o direito da literatura de abordar o “real acontecido”, ao mesmo tempo que “imagina o futuro” e sugere visões alternativas às dominantes.
Palavras-chave: mar Índico; Achille Mbembe; Jacques Derrida.
Abstract: João Paulo Borges Coelho’s short story (estória, to be more precise) “Casas de ferro” [Iron Houses], and namely its approach to the indexes of the Indian Ocean, provides an apt starting point for a reflection on matters of law, authority, force and violence. The short story acts as a literary supplement to historical, geographical, political, and philosophical visions; the sea, as a literary and textual device, bursts at the end of the short story as an element of conflict and suspension, prompting an open ending and staging an opening to the unknown. This allows for a reworking of the relations between self and other beyond the mere framing of the other as other to the self; between others that the selves (Authority, Force) seek to appropriate and plunder (inhabitantes and refuges) in the name of a law and a discourse which overflows from colonialism (as well as neocolonialism and post-coloniality) as it appeals to the common good and pretends to have the best interests of the population and the “development” of the country in mind. The Indian Ocean, as a topos and a trope, does more than simply configure another espace/place (under utopian and/or heterotopic guise) or another “Future” which may offset what is taking place on dry ground, already projected by the Authority and the respective Force. The sea (and the elements associated with it, such as the boats and the sand) functions as a device which activates literature’s role and duty to approach the “real that took place” while simultaneously “imagining the future” and offering alternative visions to the dominant one.
keywords: Indian Ocean; Achille Mbembe; Jacques Derrida. |
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| publishDate | 2018 |
| publisher | Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Estudos da Linguagem |
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